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Produções Artísticas | Obras Inéditas
Polígono
Foto: Reginaldo Azevedo
Polígono (2008)
Coreografia, direção e concepção cênica: Alessio Silvestrin
Música: Johann Sebastian Bach, Oferenda Musical BWV 1079, revisitada pelo conjunto belga Het Collectief (www.hetcollectief.be)
Iluminação: Wagner Freire e Alessio Silvestrin
Cenário e figurino: Alessio Silvestrin
Assistência de direção: Maurício de Oliveira
Duração: 30 minutos com 24 bailarinos

Em Polígono Revisitado a dramaturgia parte da Oferenda Musical de Bach exemplificando nos movimentos a estrutura da música. No trabalho, a construção da cena ganha perspectiva no palco construído pelo cenário de painéis e tules. Os elementos se associam, interpenetram-se, contorcem-se, produzindo incessantemente novas configurações. Para Silvestrin, “como um som, na música, é considerado um ponto geométrico, o corpo é um ponto sobre uma superfície plana, que ao se multiplicar gera os segmentos de um polígono.”
Entreato
Foto: João Caldas
Entreato (2008)
Coreografia: Paulo Caldas
Música original: Sacha Amback
Figurinos: Raquel Davidowicz
Iluminação: Renato Machado
Assistente de coreografia: Carolina Wiehoff
Vídeo e cenário: Jurandir Muller
Duração: 20 minutos com 4 bailarinos

Criador que escreve com luz e movimento, Paulo Caldas desenvolveu um quarteto sobre ambiência sonora criada por Sacha Amback. A obra nasceu como um desafio proposto ao coreógrafo, de criar uma peça a ser apresentada entre duas obras consagradas do repertório da dança – um entreato. Mas o nome evoca também o filme Entr’acte, de René Clair (1898-1981), diretamente citado na forma de uma projeção de vídeo realizado por Jurandir Muller. Nele, uma bailarina de tutu e sapatilhas de ponta, em lentíssima rotação, cria uma interferência que constitui um olhar deslocado sobre a tradição clássica e uma contagem temporal. Longe de qualquer sugestão óbvia de narrativa, Entreato tem por objeto o próprio movimento, com suas velocidades, lentidões, detenções e deformações.
Ballo
Foto: João Caldas
Ballo (2009)
Coreografia: Ricardo Scheir
Música Original: André Mehmari
Encenação, direção de arte, desenho de luz: Marcio Aurelio
Assistente de coreografia: Andrea Pivatto
Assistente de direção: Ligia Pereira
Duração: 34 minutos com 31 bailarinos

O ponto de partida foi o tema de um madrigal de Claudio Monteverdi: Ballo Delle Ingrate - uma alegoria que mostra a punição das mulheres que não se entregam ao amor. As personagens representadas são Amor, Vênus, Plutão, quatro sombras do inferno e oito almas ingratas. A estas Scheir acrescentou Ariadne, como figura que acompanha a ação e lhe acrescenta significados. Em sua peça musical, Mehmari apresenta variações que remetem a diversos momentos da história da música e, assim, propõe um diálogo do antigo com o novo, do moderno com o arcaico. Responsável pela encenação, direção de arte e desenho de luz, Marcio Aurelio concebeu elementos cênicos e dramatúrgicos que se unem à coreografia e à música para compor esta peça que fala de questões centrais para o homem de todos.
Passanoite
Foto: Reginaldo Azevedo
Passanoite (2009)
Coreografia: Daniela Cardim
Música: Marcelo Petraglia, Hermelino Neder, Mário Manga e André Mehmari
Figurinos: Ronaldo Fraga
Iluminação: Domingos Quintiliano
Duração: 20 minutos com 10 bailarinos

Passanoite revela um delicado uso da técnica clássica sob o olhar contemporâneo. Baseada em puro movimento, a obra estabelece na compreensão física da música a dramaturgia da cena. Em Passanoite, Daniela cria grandes eixos de movimentos que ecoam nos corpos dos dançarinos e reverberam principalmente nos gestos das mãos e dos braços. O corpo dá visualidade ao espaço. Segundo a coreógrafa, a música é a referência central de suas criações “ela orienta a estrutura do balé, o tamanho do elenco, as formações de cada momento”. Os figurinos de Fraga são como pontos de luz que pontuam e riscam a cena. A luz de Quintiliano demarca e intensifica os espaços do palco e compõem junto com os movimentos ambiências que marcam a passagem do tempo.
Os Duplos
Foto: João Caldas
Os Duplos (2010)
Coreografia: Maurício de Oliveira
Figurinos: Jum Nakao
Trilha Original: André Abujamra
Espaço cênico e desenho de luz: Wagner Freire
Duração: 20 minutos com 8 bailarinos

A nova criação de Maurício de Oliveira para a São Paulo Companhia de Dança tem como foco a imagem do bailarino que se multiplica ao longo da cena. No ambiente marcado pela luz de Wagner Freire, oito intérpretes procuram desenhar o espaço por meio de seus movimentos e pela própria relação dos corpos. É o duplo de cada um, do outro e do conjunto, que estabelece relações ambíguas. Entram, misturam-se, contaminam-se na busca de um encontro com o outro e consigo. Habitam um tempo particular. Em Os Duplos os artistas são co-criadores das estratégias apresentadas, cuja assinatura coreográfica é reconhecida pelo movimento e dialoga com o figurino de Jum Nakao e a trilha especialmente composta por André Abujamra.
Os Duplos
Foto: Silvia Machado
Inquieto (2011)
Coreografia e iluminação: Henrique Rodovalho
Trilha sonora original: André Abujamra
Figurinos: Cássio Brasil
Cenografia: Shell Jr.
Execução do cenário: Fábio Brando
Duração: 23 minutos com 11 bailarinos

Em Inquieto Henrique Rodovalho apresenta três faces do desassossego. Três personagens marcam a cena e pouco a pouco revelam diferentes inquietudes diante do mundo: uma velada, aparentemente imóvel, que transparece em pequenos gestos quase incontroláveis; outra determinada, como uma linha que risca de forma direta todo o espaço da cena; e outra traduzida propriamente em movimento: o corpo em suas diferentes articulações, conexões e sinuosidades expandidas no espaço. No desenvolvimento da peça, o terceiro personagem se desdobra em dez: os movimentos se multiplicam, passam pelos distintos intérpretes, como se fossem um e ao mesmo tempo muitas facetas da inquietude humana, criando novas estruturas e repetições com variantes. O desenho do corpo no espaço se completa com o traço do cenário de Shell Jr. em permanente construção na cena. A luz também cria o espaço, recortando o palco e enfatizando determinados momentos da obra. Os riscos do figurino de Cássio Brasil acentuam as sombras e dobras do corpo e a música de André Abujamra cria o ambiente e revela as dinâmicas da obra. Imobilidade e movimento, sombra e luz, linhas retas e sinuosas. As polaridades vistas na cena nos instigam a interrogações em torno do espaço e suas possibilidades e invenções revelam um pouco da apreensão cotidiana.
Polígono
Foto: Wilian Aguiar
Bachiana Nº 1 (2012)
Coreografia: Rodrigo Pederneiras
Música: Bachianas Brasileiras nº 1, de Heitor Villa- Lobos (1887-1959)
Execução: Violoncelistas da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) com participação especial de Antonio Meneses e regência de Roberto Minczuk (gravação selo BIS, 2003)
Iluminação: Gabriel Pederneiras
Figurinos: Maria Luiza Malheiros Magalhães
Assistente de coreografia: Ana Paula Cançado
Duração: 20 minutos com 15 bailarinos

Inspirado pela Bachianas Brasileiras nº 1, de Heitor Villa-Lobos, Rodrigo Pederneiras criou Bachiana Nº 1 peça em que a dança responde à estrutura íntima da música. A coreografia, dividida em três movimentos, evidencia a brasilidade, o romantismo e a paixão do nosso povo. Os violoncelos que se sucedem a cada parte da música traduzem o gesto em si, e dessa afinação entre som e movimento surge a obra, que ganha acentos particulares no corpo de cada intérprete. Em Bachiana Nº 1 a versatilidade dos bailarinos traz novas ênfases à linguagem de Pederneiras.
Ammanda Rosa e Nielson Souza em Pormenores, de Alex Neoral
Foto: Arnaldo J.G. Torres
Pormenores (2012)
Coreografia: Alex Neoral
Música: Johann Sebastian Bach (1887-1959) (Andante da Sonata nº2 para violino solo e Sarabande da Partita nº1 para violino solo)
Figurino: André Vytall
Iluminação: Binho Schaefer
Assistente de coreografia: Clarice Silva

Alex Neoral criou Pormenores, um balé marcado pelos detalhes dos movimentos sobre o Andante da Sonata nº2 para violino solo e Sarabande da Partita nº1 para violino solo, de Johan Sebastian Bach (1887-1959). "Nesta obra trabalhamos com duos, as alavancas e seus desencadeamentos, que são uma característica forte do meu trabalho e que eu pude dividir com os bailarinos da Companhia", conta Neoral, que é diretor artístico da Focus Companhia de Dança, no Rio de Janeiro. "O trabalho é intimista e valoriza a proximidade dos intérpretes".
Cena de Azougue, de Rui Moreira
Foto: Arnaldo J.G. Torres
Azougue (2012)
Coreografia: Rui Moreira
Músicas: Rui Moreira e Lobi Traoré
Figurino: Eduardo Ferreira
Iluminação: Domingos Quintiliano
Designer Gráfico: Guili Seara
Assistente de designer gráfico: Juarez Tanure
Assistente de coreografia: Bete Arenque

Rui Moreira assina Azougue, que apresenta características da cultura afro-brasileira marcadas pelo timbre e sonoridade dos tambores. "Azougue é um termo de vários significados, mas a expressão que eu utilizei foi a daquela peculiar esperteza, vinda da região nordeste do país. É a pessoa que está inquieta, que não se deixa abater, que tem uma vibração acima do normal", conta o diretor da Cia. Será Quê?, de Belo Horizonte. "Utilizei também a relação de azougue com o maracatu rural, no qual os caboclos de lança utilizavam um preparado energético com pólvora à base de cachaça e de uma erva chamada azougue para aguentarem o 'baque' do carnaval e o peso da roupa", explica o coreógrafo.
Mamihlapinatapai Pamela Valim e Bruno Veloso
Foto: Arnaldo J.G. Torres
Mamihlapinatapai (2012)
Coreografia: Jomar Mesquita
Música: Marina de La Riva, composição de Silvio Rodrígues (Te Amaré Y Después); Rodrigo Leão (No Se Nada); e Cris Scabello (Tema final)
Figurino: Cláudia Schapira
Iluminação: Joyce Drummond
Assistente de coreografia: Rodrigo de Castro

Um olhar compartilhado por duas pessoas, cada uma desejando que a outra tome uma iniciativa para que algo aconteça, porém, nenhuma delas age. Este é significado de Mamihlapinatapai, palavra originária da língua indígena yaghan, de uma tribo da Terra do Fogo, que dá nome à obra de Jomar Mesquita. "Na coreografia, trabalhamos com a relação de desejo entre homem e mulher e, ao mesmo tempo, com esse 'quê' agregado ao significado dessa palavra e naturalmente, esse desejo não se concretiza", explica o coreógrafo, que usou elementos desconstruídos da dança de salão para criar esta peça. Mesquita é diretor da Mimulus Cia. de Dança, de Belo Horizonte.
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