Memória | Figuras da Dança
O projeto Figuras da Dança faz parte da proposta da Companhia de incentivar o registro e a preservação da memória da dança brasileira no país. Nele o artista revisita sua história em diálogo com interlocutores por meio de depoimentos públicos, que são gravados no Teatro Franco Zampari e são a base dos documentários, posteriormente editados com fotos e vídeos.
Idealizada por Iracity Cardoso e Inês Bogéa, a série já conta com dez episódios: Ady Addor, Ismael Guiser (1927-2008), Ivonice Satie (1950-2008), Marilena Ansaldi, Penha de Souza, Antonio Carlos Cardoso, Hulda Bittencourt, Luis Arrieta, Ruth Rachou e Tatiana Leskova. Em 2008 os documentários foram dirigidos por Inês Bogéa e Antonio Carlos Rebesco (Pipoca) e em 2009 por Inês e Sérgio Roizenblit.
Os programas exibidos na TV Cultura, atingiram, na sua primeira exibição, uma média de 250.480 domicílios/ano na grande São Paulo (Fonte: Ibope / Media Workstation GSP). Os documentários são reunidos em uma caixa de cinco DVDs, acompanhadas de livretos informativos de 36 páginas sobre cada artista, com texto de pesquisadores, fotos históricas e cronologia.
A terceira edição que contempla relatos de Marcia Haydee, Décio Otero, Angel Vianna, Sonia Mota e Carlos Moraes será lançada em novembro e exibida na TV Cultura posteriormente.
A série Figuras da Dança não é comercializada. Ela é distribuída para instituições educativas e culturais, principalmente as que contam com biblioteca pública, além de universidades e ONGs. Mais informações:
educativo@spcd.com.br.
Ivonice Satie
(1950 – 2008)
Figuras da Dança 2008
Direção: Inês Bogéa e Antonio Carlos Rebesco
Filha de imigrantes japoneses, Ivonice iniciou seus estudos de dança na Escola Municipal de Bailado de São Paulo aos nove anos. Integrou o Corpo de Baile do Teatro Municipal de São Paulo, atual Balé da Cidade de São Paulo, por 14 anos. Foi bailarina e assistente de coreografia do Ballet du Grand Théatre de Genève e diretora artística do Balé da Cidade de São Paulo, onde criou a Cia. 2, para bailarinos veteranos. Trabalhou como coreógrafa convidada em companhias na França, Alemanha, Croácia, Suíça, Estados Unidos e Portugal.
Ismael Guiser
(1927 – 2008)
Figuras da Dança 2008
Direção: Inês Bogéa e Antonio Carlos Rebesco
Argentino, Ismael Guiser chegou ao país em 1953 para ser solista do Ballet do IV Centenário a convite do próprio diretor, Aurélio Milloss. Guiser começou a dançar somente aos 18 anos, tornando-se solista do Balé de La Plata, em Buenos Aires. No início dos anos 50, seguiu para a Europa, onde trabalhou no Teatro La Scala de Milão e na companhia do francês Roland Petit. Foi coreógrafo do Ballet do Museu de Arte de São Paulo, para o qual criou suas primeiras coreografias profissionais. Dançou também na extinta TV Tupi. Ainda no Brasil, coreografou para sua própria companhia e fez trabalhos para grupos como o Balé do Teatro Municipal do Rio e o Cisne Negro.
Ady Addor
(1935)
Figuras da Dança 2008
Direção: Inês Bogéa e Antonio Carlos Rebesco
A carioca Ady Addor foi primeira bailarina a atuar em companhias de renome como Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Ballet do IV Centenário, Ballet Nacional da Venezuela, Ballet Nacional de Cuba e American Ballet Theatre, de Nova York. Famosa por sua qualidade como bailarina dramática, encerrou a carreira na dança em 1961, aos 26 anos, e, desde então, dedica-se à família em São Paulo. Montou uma escola no bairro de Pinheiros, o histórico Balleteatro. Foi professora do Balé da Cidade e continua sendo uma das mais respeitadas maîtresses de ballet do país.
Penha de Souza
(1935)
Figuras da Dança 2008
Direção: Inês Bogéa e Antonio Carlos Rebesco
Penha de Souza, carioca criada em Bauru, em 50 anos de carreira percorreu uma trajetória única, saindo do balé clássico até chegar ao Alongamento Corretivo Postural, método que criou a partir de aspectos da dança clássica, moderna e técnicas de Yoga, RPG e Pilates. Como bailarina, Penha dançou em especiais de televisão pela TV Tupi, TV Rio, Record e TV Paulista. Trouxe de Nova York a técnica de Graham e foi coreógrafa da Cisne Negro, tendo criado o primeiro espetáculo do grupo: Pulsación, em 1977. Penha trabalhou e contribuiu para o reconhecimento da dança como profissão no Brasil, foi membro-fundador da Associação Paulista de Profissionais da Dança (APPD), atual Sindicato dos Profissionais da Dança do Estado de São Paulo.
Marilena Ansaldi
(1934)
Figuras da Dança 2008
Direção: Inês Bogéa e Antonio Carlos Rebesco
Marilena é bailarina, coreógrafa, produtora, autora e atriz. Foi primeira bailarina do Teatro Municipal de São Paulo, precursora da dança-teatro no Brasil e uma das fundadoras do Balé de Câmara do Estado de São Paulo. Estudou durante três anos no Balé Bolshoi, onde chegou a se apresentar com primeira bailarina e, de volta ao Brasil, trabalhou com importantes nomes do teatro, da dança e da televisão. Em 1975 orientou sua carreira para o teatro-dança autoral. O caráter inovador e a qualidade artística de suas obras rendem-lhe prêmios como APCA, Molière e Governador do Estado de São Paulo. Seus trabalhos baseiam-se em autores como Wilhelm Reich, Clarice Lispector e Heiner Muller.
Ruth Rachou
(1927)
Figuras da Dança 2009
Direção: Inês Bogéa e Sérgio Roizenblit
Uma das artistas fundamentais da dança moderna no Brasil, Ruth Rachou iniciou sua carreira no histórico Ballet do IV Centenário (1954) e influenciou toda uma geração da dança. Tem uma extensa carreira profissional como bailarina, coreógrafa e professora. Como atriz, participou de filmes produzidos pelos estúdios da Vera Cruz, e dançou no balé da TV Record. No Brasil, foi responsável pela disseminação de algumas dessas técnicas de dança moderna americana e, em 1972, abriu o Espaço de Dança Ruth Rachou, que, além de aulas regulares de técnicas de dança moderna e pilates, é um lugar de reflexão e diálogo sobre as artes cênicas.
Hulda Bittencourt
(1934)
Figuras da Dança 2009
Direção: Inês Bogéa e Sérgio Roizenblit
Fundadora da Cisne Negro Cia. de Dança, em 1977, Hulda Bittencourt tem uma longa trajetória na dança. Atuou como bailarina, coreógrafa, professora, fundadora de escola e companhia de dança. No começo de sua carreira, dançou em vários grupos e participou de óperas, operetas e musicais. Entre seus trabalhos, destaca-se a montagem anual de O Quebra-Nozes, que supra a 25ª temporada seguida. Hulda iniciou seus estudos com Maria Olenewa e teve como professores, Vaslav Veltcheck, Ismael Guiser, Bill Martin Viscount, John O`Brien, Rosella Hightower, Herida May e Shirley Graham.
Luis Arrieta
(1951)
Figuras da Dança 2009
Direção: Inês Bogéa e Sérgio Roizenblit
Luis Arrieta nasceu em Buenos Aires e chegou ao Brasil, em 1974, a convite de Marilena Ansaldi para integrar o Ballet Stagium. Ao longo de mais de 40 anos de trajetória como bailarino, coreógrafo e diretor artístico, constituiu uma das mais destacadas obras na arte da dança produzida no Brasil. Com quase uma centena de coreografias, teve papel decisivo na história de importantes companhias, como o Balé da Cidade de São Paulo e o Balé Teatro Castro Alves, de Salvador. Ocupou por duas vezes o posto de diretor artístico do Balé da Cidade de São Paulo e foi um dos fundadores e diretor artístico do Elo Ballet de Câmara Contemporâneo, de Belo Horizonte.
Tatiana Leskova
(1922)
Figuras da Dança 2009
Direção: Inês Bogéa e Sérgio Roizenblit
Uma das figuras mais importantes da dança brasileira, Tatiana Leskova nasceu em Paris e chegou ao Brasil pela primeira vez em 1942, com a companhia Original Ballet Russes do Coronel de Basil e fixou residência no país em 1944. Esteve à frente do Balé do Teatro Municipal do Rio por anos e o transformou em uma das companhias mais prestigiadas da dança clássica no Brasil. Para a instituição, remontou grandes clássicos da dança. Trabalhou com Léonide Massine, de quem se tornou remontadora oficial. Por conta disso, já trabalhou em companhias na Inglaterra, Estados Unidos, França (na Ópera de Paris, convidada por Nureyev) e Países Baixos.
Antonio Carlos
Cardoso
(1939)
Figuras da Dança 2009
Direção: Inês Bogéa e Sérgio Roizenblit
Antonio Carlos Cardoso iniciou sua aproximação com a dança em Porto Alegre, sua cidade natal. No início dos anos 1960, seguiu para o Rio de Janeiro, para o Corpo de Baile do Theatro Municipal, onde começou sua carreira profissional. Depois de ter trabalhado em companhias européias, ajudou a mudar a direção da dança brasileira ao assumir a direção do Corpo de Baile Municipal (atual Balé da Cidade) em 1974. Em sua gestão, trabalhou ao lado de importantes coreógrafos como Oscar Araiz, Victor Navarro e Sônia Mota. Em 1981, participou da criação do Balé Teatro Castro Alves, companhia que dirigiu com intervalos até 2005. Em Salvador, começou sua carreira de fotógrafo, que já lhe rendeu publicações em respeitadas revistas e catálogos.