A dança é uma forma muito completa de expressão, você não depende de mais nada a não ser do seu eu, porque o corpo carrega com tudo, carrega com a emoção a razão e também os preconceitos e os medos, as paixões enfim...então, a gente não precisa de um meio pra se expressar, nós somos o próprio meio e conteúdo.
Estávamos muito felizes dançando com a Yanka e eu, descobrindo minha falha, de não ter contato com a cultura popular lá, mergulhei de cabeça..conheci todas as festas populares, todas as danças, os candomblés da vida..isso pra mim, acho que foi mais forte que a universidade. Foi um aprendizado fantástico.
Como sempre a minha formação toda eu tive muito mais informação de outras linguagens do que da própria dança. Eu criei um grupo meu, particular, e comecei a criar meus espetáculos fora da Universidade.
É importante eu ter uma noção e uma proposta minha, conceitual, estética e formal do que é a obra. E sempre eu considero um espetáculo inteiro. Pra mim 15 minutos não cabem em uma proposta. E toda arte, com consciência ou inconscientemente é política.
Que eu me lembro, dos meus impulsos criativos, eram estímulos, era uma coisa como paixão, irrefreável, era espontâneo, era um coisa que vinha, que brotava assim, que você não conseguia conter, que eu sentia como se fosse uma fonte de água que quanto mais água você tira, mais sai, então isso não era nada racional, então não da pra racionalizar esse processo, só lembro da alegria e do prazer dessa criatividade brotando.
Eu também atuei muito na área de gestão cultural, na área de direção, administração, então você não é só criativo, você quando desenvolve o lado criativo, você tem que inserir essa sua criatividade em um contexto viável de realidade e isso me fez exercer muitas funções administrativas.
Pra dar legitimidade a uma companhia, ela tem que ter sua formação.
Eu aprendi muito no Axé (projeto social), sobre educação, sobre pedagogia, não tem teoria, não tem discurso social, político, filosófico, que mude a cabeça de uma pessoa se você não mexer na sua emoção e a arte vai fundo na emoção. E a dança vai além, porque a dança organiza o corpo e eu acredito muito na metáfora, na hora que você estrutura a sua postura corporal, você está estruturando sua postura na vida.
O artista tem que ter liberdade total. Mas ele com essa liberdade, com essa subjetividade, ele tem que mudar o mundo.