Quando eu vim para São Paulo foi que assisti televisão pela primeira vez. Aí vi uma menina dançando, e foi amor a primeira vista.
Para mim o bailarino não é aquele que executa, é aquele que passa para o publico alguma coisa além da execução.
Quando o público recebe isso, ele não esta recebendo sua técnica, ele esta recebendo sua alma.
O balé clássico é muito lindo, romântico, mas ele fala de coisas que a gente não vive mais.
Eu sempre fui muito persistente, eu não sei que nome dar a isso além de uma persistência em querer chegar no meu melhor. Acho que isso fez com que eu conseguisse transpor as várias barreiras que o balé clássico coloca em nós bailarinos.
Adoro ajudar o bailarino a entrar em cena e poder olhar o potencial dele e juntar ao meu.
Desde criança eu sentia um conflito: hora eu tinha que ser gueixa, hora eu tinha que ser cabocla para sobreviver nesse país.
Com o meu avô eu aprendi a arte do sabre, a arte de enfrentar o desconhecido. E junto com a arte do sabre eu aprendi também a dança do samurai.
Na primeira oportunidade que eu tive eu fiz uma fusão das artes marciais com a dança moderna, e assim nasceu Shogun.
Diadema me mostrou que minha arte vai muito além do palco e que todos os corpos podem dançar.
Eu sou diretora, coreografa e bailarina, isso me deixa muito feliz, porque me leva ao palco e me dá a possibilidade de continuar movendo esse corpo. A coisa que eu mais gosto de fazer é estar no palco. É o lugar onde eu me sinto mais feliz até hoje.