Na verdade eu comecei fazendo teatro. Achei que para ser um ator descente eu teria que estudar dança. Mas fui me envolvendo muito com a dança, me apaixonei por uma bailarina e foi fulminante, fiquei com a dança.
Quando eu fui para a Bélgica eu já estava mal intencionado, eu queria um espaço como coreógrafo.
Uma companhia de dança depende um pouco do diretor, mas depende muito mais da administração cultural da cidade.
Nós tínhamos uma forte ligação com as pessoas que faziam teatro. Nós participávamos desse mundo, não era do mundo de conto de fadas do balé clássico, essa convivência mudou a relação da companhia (Corpo de Baile Municipal), e teve um retorno do público.
Você viria aqui para a Bahia para criar uma companhia como esta? E eu disse ‘Claro’, fui para lá, fiquei 10 dias e já voltei de contrato assinado, e foi a melhor coisa que já me aconteceu na vida.
Foi uma questão de investir em outro material humano, menos técnico e mais visceral.
Eu fui me afastando da criação coreográfica. Não estava conseguindo me achar criativo, sentia meu trabalho muito menos interessante do que o dos coreógrafos que eu trazia, então eu pensei: Vou insistir por quê? Então o diretor Antonio demitiu o coreografo Antonio.
Como diretor você participa de tudo, mas não é você. A coreografia tem autor, tem bailarinos para dançar aquilo, pessoas que ensaiam, as que iluminam e botão no palco, ou seja, o diretor é um pouco por trás de tudo isso, mas não sei como explicar.
A fotografia mudou a minha vida, a maneira de ver a vida, o detalhe, a intimidade, eu tive muita sorte por descobrir a fotografia, mais uma paixão.