Eu não vi passar trinta anos, esse ano eu comemoro trinta anos de Theatro Municipal (RJ)
A aula de manhã é primordial pra mim, pra acordar meu corpo.
Márcia Haydée e Henrique Martinez me chamaram e disseram que gostariam que eu assumisse a posição de primeira bailarina, e apesar de eu nunca ter feito nada de grande, a Márcia falou que eu tinha potencial.
Quando estou no camarim eu sou a Ana, mas quando você entra no palco tem que ser o personagem, tem que existir essa divisão.
O dia-a-dia do bailarino é difícil, é cansativo, tem que ter bom-humor.
Existem coisas contemporâneas que estão fora da minha linguagem, mas eu busco aquilo da minha maneira e vou dar meu máximo.
O bailarino é um instrumento na mão do coreógrafo, é o nosso dever.
Minha primeira cena de novela foi de balé, com a Deborah Evelyn, e a cada pausa a Deborah sentava e eu ficava de pé e pensava 'Por que ela vai sentar? ', e eu descobri. Em uma cena que tinha cerca de dois minutos nós passamos sete horas gravando. No dia seguinte parecia que eu tinha dançado o Lago dos Cisnes completo, de tão cansada e de tão doida que eu fiquei.
Bailarino é para ficar na sala de ensaio. Eu preciso dançar e ensaiar, o resto os outros resolvam.
O que eu falo para os jovens bailarinos é corram atrás dos seus sonhos. Não foi fácil chegar aqui, não é fácil o dia-a-dia, as dores, os desafios e as prioridades. De todos os artistas acredito que nós, bailarinos, somos os que mais têm que renunciar coisas pela nossa carreira.
É maravilhoso poder através do nosso corpo, do nosso movimento, emocionar o público.
O Figuras da Dança está presenteando o público da dança com nossas memórias.
"Você vive me surpreendendo, você é essa mulher pequenininha, miudinha, magrinha, insignificante e vira um mulherão no palco" (Luis Arrieta)